PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA

CONSTITUIÇÃO FEDERAL - Art.150, § 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

SOB O RISCO DO JURO

ZERO HORA 09 de fevereiro de 2014 | N° 17699


CADU CALDAS


R$ 229,2 BILHÕES = 20 X BOLSA FAMÍLIA O QUE PAGAMOS DE JURO AO ANO

A cada ano, uma quantia que chega perto de toda a geração de riqueza do Estado vai rechear os cofres de bancos e empresas que oferecem financiamento



No país que tem o maior juro do mundo, o valor gasto com taxas em um ano seria suficiente para manter 20 programas como o Bolsa Família. São R$ 229,2 bilhões, segundo cálculo feito para ZH pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). A quantia se aproxima do valor total que o Rio Grande do Sul produz em um ano: o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é R$ 281,2 bilhões.

E neste ano, o número ainda vai inflar, se for mantida a tendência do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em aumentar a taxa Selic. Esse engolidor de orçamentos ajuda a criar uma legião de endividados e inadimplentes.

– O consumidor não percebe o aumento do juro porque não é expressivo em relação à taxa anterior. No longo prazo, pode comprometer o orçamento familiar – adverte Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Se o valor em juro que todos os brasileiros pagam fosse dividido igualmente entre toda a população, cada cidadão seria obrigado a desembolsar R$ 1,1 mil por ano. Mas há quem gaste bem mais, como o desenhista mecânico Cláudio Fernando Paixão. Autônomo, ficou alguns meses sem trabalhar devido a um problema de saúde. Acabou caindo na teia do cheque especial, uma das modalidade com juro mais alto no país.

A dívida, que era de R$ 3 mil em agosto do ano passado, transformou-se em R$ 7 mil em janeiro. Recuperado, Paixão corre agora atrás do prejuízo e tenta tirar a conta do vermelho. Pretende negociar em 60 parcelas. Sabe que provavelmente terá de pagar ainda mais juros. Mas no momento está mais preocupado em quitar a conta.

Se o brasileiro gastou muito com juro, as empresas não ficam atrás. Segundo as estimativas da Fecomercio-SP foram R$ 134,9 bilhões em 2013. Esse valor só não foi maior porque o empréstimo para pessoas jurídicas costuma ser mais barato.

– Junto com os tributos, a taxa de juro come boa parte da renda do país – afirma Altamir Carvalho, assessor econômico da Fecomercio-SP.

Se o juro médio de crédito para pessoa física caísse, por exemplo, de 2,6% por mês para 1% – mais próximo de padrões internacionais –, sobrariam R$ 140 bilhões que poderiam ser direcionados para o consumo.

Os recursos drenados dos orçamentos familiares e dos planos de investimentos das empresas recheiam cofres de bancos e até de redes de varejo, que nos últimos anos descobriram na oferta de crédito outra fonte de lucros.


Em ascensão

POUPANÇA, FUNDOS DI E CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO (CDB)

As aplicações financeiras sobem e descem com o juro. Confira quais ganham e quais perdem com Selic em alta
- Ganham: os juros altos favorecem aplicações pós-fixadas, aquelas que variam de acordo com a taxa de juro. Os prefixados, que já definem o rendimento no momento da aplicação, ficam menos vantajosas.

AÇÕES
- Perdem: juros altos costumam ser ruins para a bolsa. Com aplicações mais seguras, como a poupança, rendendo mais, arriscar no mercado de ações fica menos atrativo. Tesouro Direto
- Depende: há dezenas de opções disponíveis. As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) acompanham a taxa Selic, portanto rendem mais quando o juro sobe. Outros com alta procura, como Notas do Tesouro Nacional (NTN-B), são vinculados à inflação. Como o juro é usado para reduzir a alta de preços, pode representar ganhos menores, mas nem sempre funciona.

FUNDOS DE INVESTIMENTO
- Depende: cada fundo varia confirme os rendimentos dos ativos que o compõem. Também precisam de aconselhamento na escolha.


Na ponta do dedo

JUROS FÁCIL PARA ANDROID GRATUITO
Conheça alguns aplicativos para smartphones que podem ajudar você a cuidar bem do seu bolso
- Bastante prático, permite saber quanto você paga de juro em empréstimos pessoais e no cartão de crédito e calcular o saldo devedor de financiamento imobiliário, nas tabelas SAC, Sacre e Price.
- A versão paga do aplicativo permite também calcular juros em financiamento de veículos. Todos os dados podem ser compartilhados por SMS ou e-mail.

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- Além de calcular valor de parcelas, custo do financiamento e número de prestações a pagar, o aplicativo ainda converte taxas de juros anuais para mensais ou vice-versa, com precisão de quatro casas decimais.
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- Para aqueles que utilizam mais de um cartão de crédito, o aplicativo é bastante útil. O programa ajuda no controle dos limites disponíveis, parcelamentos e datas de vencimento.
- O app tem a opção de integrar-se com o Foursquare, para facilitar o registro de locais das compras. E é possível ordenar as faturas por nome das despesas, data ou valor das compras.



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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

OS AMIGOS DO REI


ZERO HORA 27 de janeiro de 2014 | N° 17686

ARTIGOS

por Paulo Brossard*




Em dias da semana finda, esta folha estampou notícia que não era ignorada, mas chamou a atenção por seu conteúdo. Tratava-se da taxa dos juros cobrados pela generalidade dos bancos, que chega ao inacreditável, o cartão de crédito e o cheque especial, em regra, envolvendo pessoas de patrimônio modesto. Em se tratando do cartão de crédito, o juro chega a 280% ao ano. Duzentos e oitenta por cento ao ano, por incrível que possa parecer. O cheque especial se aproxima da hipótese anterior, o juro anual chega a 256%.

Alega-se que ambas as modalidades são destinadas a emergências graves e urgentes e ainda pela acentuada inadimplência; sob essa inspiração evangélica, os bancos esquartejam as pessoas que, por esta ou aquela razão, caem em suas malhas, das quais só conseguem escapar, quando conseguem, mediante esforços gigantescos.

(Fora desses dois casos extraordinários, existe outro que merece ser registrado, embora de outro tipo. Se uma pessoa tiver R$ 500 mil em depósito, o banco lhe concede a remuneração anual de 0,9% de juro ou que outro nome tenha. Se ela vier a necessitar de R$ 100 mil e não quiser dispor da soma depositada, preferindo captá-la junto ao mesmo banco, pagará 10% ao mês, um pouco mais. Uma pequena diferença, como se vê...)

Fecho o parêntese e volto ao cartão de crédito e ao cheque especial, ambos de largo curso entre nós. Pois bem, o juro cobrado pelos bancos em geral, uns mais do que outros, vê-se que à luz do sol isto vem ocorrendo e não é de hoje. Ora, juros como esses são insuportáveis porque são impagáveis e são impagáveis porque não há atividade econômica lícita que os suportem; se houver, onde se processam suas milagrosas atividades? Qual o seu CGC ou CPF?

O Banco Central nada faz ou o que faz, em relação aos juros espantosos cobrados e confessados, pois noticiados nos próprios extratos das contas bancárias extraídos pelos bancos aos seus clientes e a ele compete regular os juros? A Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor terá tomado alguma providência? Não faltará quem diga que não é significativa a faixa humana que se serve do veneno da usura bancária, no entanto, não sei se é grande ou não, a meu juízo, basta que exista.

Dir-se-á que ambas as modalidades são facilidades que os bancos oferecem a seus clientes, a partir desse ponto os caminhos se bipartem; se as regras dos contratos forem cumpridas nos prazos e condições estabelecidas, torna-se uma real facilidade, caso contrário, se o cliente cair na malha sinistra da “Medusa bancária”, é transformado em presa a vida inteira à mercê de seu insaciável credor, uma vez que esses juros, ou metade que fossem, seriam impagáveis a um pobre mortal.

Não me parece impróprio relembrar que entre as atribuições do Banco Central está a de regular a taxa de juros, como se lê na lei que o criou. A notícia que se tem é que os bancos devem informar ao Banco Central os juros cobrados, que nada fez até hoje da informação privilegiada que possui regularmente. Esse dado torna mais estranha a sua posição, que sabe do que ocorre, mas permanece dormente. Afinal, sabe para quê?

O Ministério Público, que tantas atribuições possui, não estará qualificado para quebrar essa inação granítica?

Nunca antes na história deste país (como gosta de dizer o presidente Luiz Inácio), os bancos ganharam tanto; parece até que eles são amigos do rei.

*JURISTA, MINISTRO APOSENTADO DO STF


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

MANICÔMIO TRIBUTÁRIO

JORNAL DO COMÉRCIO, 23/01/2014


Gentil Pompermayer


Nossa legislação tributária virou um verdadeiro manicômio. Difícil, assim, pensar em empreender ou ampliar negócio, diante da insegurança jurídica. O que valia ontem, já não serve hoje. São leis, decretos, portarias, normas etc., um verdadeiro cipoal, que envolve empresários, contadores tributaristas, todos ao final tentando desvendar e entender, sem chegar-se a um resultado convincente e definitivo. Verdadeiros “cegos em tiroteio”.

Agora, nós, pequenos empresários, pertencentes ao Simples, nos deparamos com um impasse. O chamado Imposto de Fronteira criado através de decreto estadual, em 2009, é um atentado às normas de Direito e ao bom senso, sem observar anterioridade, editado com vigência dentro do próprio exercício fiscal – bitributação, pois já pagamos ICMS, em guia única, e outras irregularidades, sem passar pelo Legislativo. Teria sido revogado pelo nosso Legislativo, através de decreto do mesmo, obra do deputado Frederico Antunes (PP), a quem devemos gratidão perene, por ser dos poucos representantes que nos ajudam a tentar manter-nos sobreviventes nos nossos negócios.

O poder Executivo diz não acatar a decisão, obrigando-nos a continuar o seu pagamento. E agora, o que fazer? “Se correr o bicho pega, se parar o bicho come...” Se pagamos indevidamente, não temos como recuperar, já que não temos compensação, ou esperar pelas devoluções dos chamados precatórios impagáveis. Se formos condenados, teremos criado, se não recolhido o imposto, um passivo impagável.

Dependemos então da nossa Justiça, a qual, por vezes em 1ª instância, tem dado ganho de causa, contra o fisco, dali para cima na esfera estadual e federal, sempre pende para o lado mais forte, compreensível até! As decisões judiciais e leis que favorecem os pequenos, incrivelmente, têm pouca duração, do tamanho do “pulo da galinha”. “Quando a força e a razão contrastam, vence a força, porque a razão não basta.”

Empresário de Bento Gonçalves

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A GANÂNCIA DO DETRAN COM AVAL DOS DEPUTADOS



ZERO HORA 22 de janeiro de 2014 | N° 17681

CARONA DO DETRAN. 
Arrecadação extra garante reforço para o caixa único

Alta de 47,6% na receita, impulsionada por novas taxas, ajuda a bancar despesas gerais do Estado


No decorrer de 2013 – primeiro ano em que vigoraram as novas taxas do Detran, elevadas após aprovação de projeto do governo Tarso Genro na Assembleia Legislativa –, a arrecadação do departamento aumentou 47,6% em comparação com 2012, alcançando a marca de R$ 1,1 bilhão. Como os gastos mantiveram um patamar semelhante nos dois últimos exercícios, o superávit chegou a 151,5% no ano passado. O “lucro” de R$ 430 milhões, porém, ajudou o Estado a bancar despesas gerais.

Isso porque a receita excedente acaba indo parar no caixa único, uma conta do governo estadual em que são concentrados recursos de diversas origens para aplicação em despesas variadas, incluindo, por exemplo, folha de pagamento e fornecedores.

Aprovado em 2012 pela base aliada do governo na Assembleia, o projeto de lei que autorizou o aumento das cobranças do Detran sobre os proprietários de veículos na emissão de documentos passou a ter validade em 1º de janeiro de 2013.

A principal alteração atingiu a expedição do Certificado de Registro do Veículo (CRV), que passou de R$ 40,95 para R$ 98,34, um acréscimo de 140%. Esse é um dos motivos para a arrecadação mais alta.

O superávit subiu em medida ainda maior porque a majoração na receita foi acompanhada da estabilidade nos gastos do Detran, que cresceram 8,4% de 2012 para o ano passado. A oposição critica os resultados, indicando que a gestão do departamento está mais preocupada em desenvolver ações de “caráter arrecadatório”.

– É uma forma de ampliar a receita metendo a faca no bolso do contribuinte. As taxas do Detran, por lei, deveriam existir só para custear os seus gastos. Criam um superávit para abastecer o caixa único. Isso é para fazer frente ao tamanho do Estado que o governo Tarso construiu – atacou o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), que chega a comparar a elevação das taxas do Detran a uma política de majoração do ICMS.

Procurado por ZH, o diretor-presidente do Detran, Leonardo Kauer, não foi encontrado. A assessoria informou que ele – único que poderia falar sobre o caso – passou o dia em reuniões e, à noite, viajou para o Interior.



A SITUAÇÃO FINANCEIRA

POR QUE A RECEITA CRESCEU
- Em 5 de junho de 2012, a Assembleia Legislativa aprovou o aumento das principais taxas do Detran, com validade a partir do início de 2013.
- Na prática, a alteração fez com que os motoristas tivessem de desembolsar 61,5% a mais do que gastavam antes com as tarifas cobradas pelo órgão para comprar um carro zero km.
- Para quem compra um carro usado, o valor subiu 32,4% no total. No caso de motos, impactou na aquisição de novas (47%) e usadas (36,3%).
- O principal vilão dessa conta foi o Certificado de Registro de Veículo (CRV), cuja emissão sofreu um acréscimo de 140% (de R$ 40,95 para R$ 98,34).
- Na época, o governo Tarso estimava arrecadar pelo menos R$ 107 milhões com as mudanças – 16,2% do orçamento do Detran em 2012. Então presidente do departamento, Alessandro Barcellos garantiu que R$ 15 milhões seriam destinados ao Fundo Estadual de Segurança e que o restante seria aplicado no órgão, sem riscos de se perder no caixa único.
- A oposição criticou a postura do governo, apontando que o valor poderia ser mais alto do que o previsto e, ainda, citando não haver garantias de que se traduziria em melhorias à população.

O AVANÇO DO SUPERÁVIT
- O superávit é o resultado das receitas diminuído dos gastos e de um repasse de 17% do arrecadado que o Detran precisa fazer por determinação de lei ao Fundo Estadual de Segurança Pública (FESP).
- De 2012 a 2013, o superávit do Detran aumentou 151,5%. No mesmo período, a arrecadação cresceu 47,6%, mas as despesas do departamento foram elevadas somente em 8,4%.
- Com as receitas superando em muito as despesas, criou-se o elevado superávit.
- O “lucro” do Detran acaba indo para o caixa único, onde ajuda a custear outras despesas do Estado.
- Em 2013, a arrecadação do Detran do Rio Grande do Sul foi a mesma do órgão no Rio de Janeiro, onde a população e a frota de veículos são maiores.
- A diferença é que, enquanto o Detran gaúcho teve despesas de R$ 477 milhões, o do Rio de Janeiro teve um gasto total de R$ 1,1 bilhão. Com isso, o departamento fluminense não registrou superávit.




terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PROTECIONISMO E IMPOSTOS ABUSIVOS

REVISTA VEJA 11/01/2014 às 18:19

Coluna Rodrigo Constantino



Fonte: Estadão

Deu na coluna da Sonia Racy, no Estadão:



Roberta Whately desabafou, ontem no Facebook, depois de deixar R$ 7 mil na alfândega do aeroporto de Guarulhos. A empresária contou à coluna que, ao chegar de viagem na última quarta, foi declarar bens eletrônicos comprados nos EUA (um projetor e uma caixa de som). Após pagar o imposto, foi indagada por uma fiscal sobre todos os itens de sua mala, incluindo roupas íntimas e produtos de higiene pessoal. A funcionária fez perguntas como “em que hotel eu havia me hospedado no exterior” e “como estava o tempo por lá”, conta Roberta. Perguntou também se as roupas íntimas (calcinhas) haviam sido compradas na viagem e pediu pelas notas fiscais.

Depois de vasculhar a bagagem por uma hora e meia, a fiscal afirmou à empresária que ela “não teria dito a verdade” e cobrou R$ 7 mil por 4 itens (que, segundo Roberta, eram antigos e comprados no Brasil): dois pares de sapatilhas Burberry e duas bolsas – uma Chanel, cuja nota fiscal ela pediu à loja e que já está em suas mãos; e uma Gucci, datada de… 10 anos atrás.

O governo brasileiro está preocupado com os crescentes gastos de brasileiros no exterior. Também, pudera! Os produtos chegam a custar o triplo no Brasil, devido ao “Custo Brasil”, ao protecionismo comercial, impostos abusivos. Nada mais natural do que o brasileiro viajar para comprar; rico é que pode comprar no Brasil mesmo.

Como o cobertor é curto e o governo não faz o dever de casa, resta apelar. A alfândega tem dificultado a entrada de produtos importados trazidos de viagem, como muitos já notaram. Há claros casos de abuso de autoridade, a coisa mais comum na cultura nacional: “sabe com quem está falando?”. Os responsáveis pela alfândega, que são nossos funcionários pagos com nossos impostos, agem como se fossem nossos senhores.

Além disso, há o ridículo limite de US$ 500, o mesmo desde que me entendo por gente (como se não houvesse inflação no mundo). É um valor irrisório, feito para os agentes terem margem para achacar os viajantes. Já soube de casos em que o funcionário da alfândega começou a falar que poderia sobretaxar as roupas todas na mala, porque seriam novas. Decisão assim, arbitrária, tomada para extrair suborno ou intimidar a pessoa.

É tudo muito tosco, muito tupiniquim. Não somos tratados como cidadãos livres, mas como súditos dessa cambada de parasitas. O ônus da prova é sempre nosso, na sociedade da desconfiança, onde somos culpados até prova em contrário. Nesse ambiente, claro que muitos trazem seus eletrônicos muitas vezes escondidos, sem passar pela declaração de bens, justamente para evitar esse caso da empresária. Assumem o risco devido ao absurdo das leis e da arbitrariedade e falta de respeito dos agentes alfandegários.

A esquerda caviar, que adora defender mais estado, intervenção e impostos (para os outros), também gosta de ir para Miami e voltar cheia de compras, sem declarar na alfândega. Sabemos disso. Afinal, quem paga R$ 4 mil pelo novo playstation podendo gastar apenas US$ 400 nos Estados Unidos? Quem torra R$ 4 mil no iPhone 5s podendo gastar apenas US$ 700 nos Estados Unidos?

Brasileiro se acha esperto, mas acabou dando uma de otário ao criar esse modelo que concentra tanto poder no estado. Poder usado e abusado pelos parasitas, que ferram todos nós, consumidores e pagadores de impostos, os hospedeiros. Até quando?

BRASIL CAMPEÃO EM JUROS EXORBITANTES


ZERO HORA 21 de janeiro de 2014 | N° 17680

CADU CALDAS E VAGNER BENITES

CARTÃO VOADOR. Juro liberado para ficar nas alturas

Taxa do crédito rotativo no Brasil alcança em média 280% ao ano e reguladores ressaltam que mercado determina valores



Com território muito maior do que seus vizinhos, o Brasil replica a desproporção em um aspecto menos agradável. O juro no cartão de crédito no país não só é o maior das Américas como supera em seis vezes a taxa média cobrada no segundo colocado, Peru.

A o usar o chamado crédito rotativo, aplicado quando não se paga toda a fatura, o usuário é obrigado a desembolsar em média 280,82% ao ano – e não há limite legal nem regulação para a cobrança.

– É grave. Foram encontrados juros de 700%. Nada justifica percentual tão elevado – diz Maria Inês Dolci, da Proteste, entidade que fez a pesquisa com a Fundação Getulio Vargas.

Embora o levantamento tenha foco na América Latina, as entidades destacam que nos Estados Unidos e na Europa as taxas são muito menores, inferiores a 20% ao ano. A Associação Brasileira de Cartões de Crédito aponta impostos e inadimplência dos clientes entre os motivos para as taxas nas alturas. Mas admite que expectativa de retorno e margem de lucro entram na conta. Especialistas destacam outras razões, como falta de concorrência entre operadoras de cartões e incentivo às compras parceladas.

– O sistema do cartão de crédito no Brasil, em algum momento, vai ter de ser revisado – avalia o diretor de economia da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Roberto Vertamatti, que estima que ao menos 30% dos usuários de cartão de crédito no Brasil apelem para o rotativo.

Responsável pelo segmento, o Banco Central informa que obriga as instituições financeiras a comunicar os clientes sobre o juro cobrado, mas não estabelece teto. O discurso é semelhante na Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça. A diretora Juliana Pereira afirma que nenhum órgão regulador tem poder para controlar o juro, determinado pelo mercado, e que cabe ao usuário trocar de companhia caso considere o valor elevado.

José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo, critica o que considera uma postura “passiva” dos reguladores e sugere que os bancos públicos forcem a queda do juro.

– Banco do Brasil e Caixa também cobram juro alto. Se reduzissem, obrigariam os concorrentes a fazer mesmo – diz Tardin.


PARA USAR COM CAUTELA

Para fugir da armadilha do crédito fácil, é importante conhecer o serviço contratado. Confira dicas para ajudar a lidar bem com seu cartão

ESCOLHA O PERFIL - Conheça as opções oferecidas no seu contrato para uso do cartão de crédito. O recomendado é ter um que seja adequado a seu perfil de consumo. Não é necessário, por exemplo, ter cartão internacional se você não costuma viajar ao Exterior.

FUJA DO PARCELAMENTO - A facilidade para parcelar compras é um dos atrativos do cartão de crédito, mas é preciso controle. Em um piscar de olhos a tentação do consumo pode se transformar em uma dívida que consome valores além do previsto no orçamento pessoal.

PAGUE JÁ - Por ter juro alto em caso de atraso, o pagamento do cartão de crédito deve ser uma das prioridades do consumidor. A fatura mensal deve ser quitada no valor total. O pagamento mínimo abre caminho para uma dívida difícil de controlar.

NEGOCIE A ANUIDADE - Para atrair clientes, os bancos consumam negociar descontos no pagamento de anuidade. Caso não seja contemplado ou o período promocional tenha terminado, é possível negociar. Se considerar o aumento abusivo, e esgotada as possibilidades de negociação, pode-se questionar as tarifas no Procon.

SE ESTIVER ENDIVIDADO - Procure a administradora de seu cartão de crédito e veja qual a possibilidade de acerto para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento. Avalie também, caso seja correntista de banco, a possibilidade de tomar um empréstimo do tipo Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para liquidar a débito do cartão de crédito. O juro médio do CDC é de 21,7% ao ano, 10 vezes menor do que o do cartão. Ou seja, você troca uma dívida cara por outra mais barata.

ZEROHORA.COM - Para se organizar e planejar os gastos, confira planilha em zhora.co/seudinheirozh

domingo, 12 de janeiro de 2014

INFLAÇÃO A GALOPE NO RS

ZERO HORA 11/01/2014 | 13h02

Alta no preço dos alimentos faz inflação subir a galopes no Rio Grande do Sul. Vilões identificados durante o ano, tomate, erva-mate e batata-inglesa puxaram a alta no grupo



No ano passado, o preço de alguns hortigranjeiros disparou nas feiras, nos supermercados e nos mercadinhos de esquinaFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


Erik Farina


O galope de preços tem aberto buracos na renda dos gaúchos de forma mais impiedosa do que ocorre em outros Estados. Conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV), a alta noRio Grande do Sul, tomando como parâmetro valores em Porto Alegre, foi 29% superior à média brasileira em 2013. Foram as despesas no comércio, com serviços e com alimentação que mais pesaram no bolso.

Comprar comida nos supermercados do Rio Grande do Sul, aliás, só não ficou mais caro do que em uma capital do Brasil, um dado curioso para um Estado com relevante produção agrícola. Vilões identificados durante o ano, tomate, erva-mate e batata-inglesa puxaram a alta no grupo alimentação, que tem peso de 25% no IPC-S, índice da FGV.

— O aquecimento da economia e a escassez de mão de obra levaram a um cenário de alta de preços: os gaúchos estavam com mais dinheiro no bolso em razão da safra recorde, e as empresas puderam repassar o aumento de outros custos, como a pressão por melhores salários — interpreta Alexandre Englert Barbosa, economista-chefe do Banco Sicredi.



Um olhar sobre o valor de frutas e legumes mostra que, em alguns casos, a inflação ocorreu no ponto de venda, e não na produção. No ano passado, o preço de alguns hortigranjeiros disparou nas feiras, nos supermercados e nos mercadinhos de esquina, mesmo que tivesse caído nas Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), onde quem produz negocia com quem vai revender para os consumidores. Os casos do tomate e feijão são exemplos disso

— Muitas vezes, a alta se dá nos intermediários ou na ponta do consumo, e nem sempre reflete aumento no custo de produção — explica Márcio da Silva, coordenador do IPC-S em Porto Alegre.

Em algumas ocasiões, o descompasso de preços entre atacado e varejo termina em farpas. Na semana passada, o secretário-executivo do Fundo de Desenvolvimento da Erva-Mate no Estado (Fundomate), Valdir Zonin, reclamou publicamente que os supermercados não estariam repassando uma queda de preços na produção. Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), reagiu dizendo que o valor pedido por fornecedores, na realidade, subiu nos últimos três meses:

— Toda mudança de preço que o supermercado repassa é definida pelo fornecedor. Pode ocorrer de um ou outro comerciante elevar o valor de algum produto, mas não é a regra no setor.

Longo argumenta que, em razão da concorrência, não há espaço para o supermercadista especular — ou seja, aumentar o lucro de carona da expectativa de que os preços vão subir. As expectativas, por sinal, são um dos venenos da inflação, e podem estar favorecendo a alta de preços em Porto Alegre, conforme economistas. Quando o empresário acredita que seus custos irão subir, já antecipa o reajuste de preços para reforçar o caixa.

Seus empregados, assustados com o mês que sobra no fim do salário, pedem reajustes acima da inflação. A atual política econômica do governo também contribui para o quadro, diz Barbosa, do Sicredi. Desde que afrouxou a busca pelo centro da meta da inflação (4,5% ao ano), o Banco Central gerou dúvidas quanto ao controle de preços:

— A expectativa alimenta a inflação não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o país. Não se sabe qual o ritmo da escalada. É diferente da Europa e dos Estados Unidos, por exemplo, onde há convicção de que os bancos centrais manterão o índice abaixo de 2%.

Confira dicas para para melhorar o orçamento

O primeiro passo é criar sua própria "cesta" de produtos e serviços: coloque no papel todos os seus gastos, divididos em grupos de consumo. Use a planilha que ZH ou procure um aplicativo gratuito que ofereça serviço semelhante.

O professor de economia da PUCRS Wilson Marchionatti dá a dica: quanto mais específica for essa cesta (descrever item por item na compra de supermercado ou quais serviços foram feitos no salão de beleza), mais eficiente será o controle. Também vale ter uma lista um pouco mais genérica, dividindo os gastos em grandes grupos: alimentação, habitação, vestuário, saúde, cuidados pessoais, educação, leitura e recreação, transportes, comunicação, despesas diversas e reserva financeira.

Acompanhe a variação de seus gastos a cada mês, procurando manter os padrões de consumo. Se fizer uma compra fora da rotina, como uma geladeira nova, ou fizer uma festa para os amigos, lance como despesa extra.

Na hora de ver quais preços mudaram, e quanto, uma dica do economista Marcelo Portugal: pequenas variações são comuns, portanto é importante fazer o controle em períodos mais longos: trimestres, semestres e ano.

Será mais fácil agora saber sua inflação

A família Durand descobriu rapidamente que o preço do leite estava disparando ou que o restaurante estava cobrando mais caro, e trocou hábitos e marcas. Com isso, conseguiu preservar a renda com pouco prejuízo ao padrão de vida.

Fazer um orçamento familiar não significa apenas economia de dinheiro. Trata-se, segundo economistas, de um processo de cidadania: dá melhores condições de acompanhar e cobrar do governo políticas econômicas mais eficientes e punir empresários que aumentam excessivamente os preços, trocando rapidamente de fornecedor.