GASTOS DE BILHÕES SEM FISCALIZAÇÃO, EDITORIAL O GLOBO, 13/04/2011 às 19h39m
É conhecida a crônica do inchaço da máquina pública patrocinado na Era Lula. Assim como é sabida a defesa oficial: a folha do funcionalismo apenas voltou aos 5% do PIB da fase final do governo FH; que, em termos de proporção de servidores na população, o Estado brasileiro emprega menos que países desenvolvidos, etc. São argumentos frágeis, pois não apenas o PIB evoluiu, como quaisquer dessas análises precisam ser mais amplas.
Têm de considerar, por exemplo, a carga tributária que pesa sobre a sociedade - a brasileira é uma das mais elevadas - e a qualidade do serviço recebido em troca pela população. Vista a questão por este ângulo, chega-se ao diagnóstico que, de tão repetido, virou lugar comum: no Brasil pagam-se impostos suecos e recebe-se de volta serviço público africano.
Uma série de reportagens publicadas pelo GLOBO demonstra que não há apenas a mazela do serviço de baixa qualidade, mas também a ausência de serviços essenciais. Como é o caso da falta de auditoria, identificada pela própria Controladoria Geral da União (CGU), na aplicação de dezenas de bilhões de reais repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para estados e municípios. Constatou-se que apenas 2,5% dos repasses são checados, e, ainda assim, nos últimos quatro anos, mapearam-se desvios de R$ 662 milhões.
Outro grande ralo pelo qual desaparecem bilhões existe na Educação. O buraco negro que faz desaparecer dinheiro do contribuinte está no caminho dos repasses do Fundeb para o resto da Federação. Desde 2007, quando o Fundeb (fundo da educação básica) surgiu da ampliação do Fundef (educação fundamental), R$ 17,1 bilhões percorreram esta rota, sem qualquer fiscalização. Entende-se por que, em 2007 e 2008, um levantamento da CGU junto a um conjunto de prefeituras constatou que 41% praticaram malfeitorias em licitações fraudadas. No Maranhão, sumiram R$ 2,6 milhões reservados para abonos e gratificações de professores; no Pará, não havia comprovação do destino de R$ 7,6 milhões; em Alagoas, recursos serviram para comprar uísque, e assim por diante.
No centro deste absurdo há um vácuo criado por um choque burocrático de interpretações: o Ministério da Educação diz que cabe aos tribunais de contas estaduais zelar pela boa aplicação do dinheiro, e estes pouco ou nada fazem. Enquanto isso, assim como ocorre na Saúde, um setor vital como Educação é terra de ninguém, convidativa à ação de larápios especializados em atuar na área pública.
O encaminhamento ao Congresso do novo Plano Nacional de Educação (PNE) permitiu que seguisse anexa a Lei de Responsabilidade Educacional (LRE), pela qual se institui a possibilidade de ação civil pública contra quem malbaratar verbas. Mas a LRE foi desconectada do novo plano, passou a ser um projeto de lei à parte, para, alegou-se, não afetar politicamente a tramitação da LRE.
Tradução: políticos que se beneficiam da ausência de controles querem deixar tudo como está. Assim, o Estado brasileiro, em sua voracidade na cobrança de impostos, continuará a prestar péssimos serviços. Quando os presta.
A ganância do Estado brasileiro produz arrecadações recordes em impostos oriundas de taxas abusivas cobradas do trabalhador, gastas para manter a máquina pública mais cara do planeta e desperdiçadas em obras superfaturadas, salários extravagantes, farras, privilégios e assistencialismo sem contrapartidas, em detrimento de serviços, direitos e garantias devidas a todo o povo brasileiro.
PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA TRIBUTÁRIA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL - Art.150, § 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
BRASILEIRO MAIS RICO QUE O AMERICANO

Quem é mais rico? O Brasil ou os EUA ? - Carta recebida por Alexandre Garcia, enviada por um amigo Americano.
Segue a carta:
“ Caros amigos brasileiros e “ ricaços “
Voces brasileiros pagam o dobro do que os americanos pagam pela água que consomem. Embora tenham água doce disponível, aproximadamente 25% da reserva mundial de água doce está no Brasil.
Voces brasileiros pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade. Embora 95% da produção de energia em seu país seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, pobres americanos, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzidas por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas Nucleares.
E por falar em petróleo...
Voces brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade, que acabam com os motores dos carros, misturas para beneficiar os usineiros de álcool . Não dá para entender, seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim tem preços tão elevados. Aqui nos EUA nós defendemos com unhas e dentes o preço do combustível que está estabilizado a vários anos US$ 0,30 ou seja R$ 0,90 Obs: gasolina pura, sem mistura.
E por falar em carro...
Voces brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que nos nos EUA pagamos R$ 20 mil.
Voces dão de presente para seu governo R$ 20 mil para gastar não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços prestados pelo setor público nos EUA. Na Flórida, caros brasileiros, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS no Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil voces são muito ricos, já que afinal concordam em pagar 18% só de ICMS.
E já que falamos de impostos...
Eu não entendo porque voces alegam serem pobres, se, afinal, voces não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, CONFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval . Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho.
De acordo com estudos realizados, um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.
Nós americanos lembramos que somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta de pagar imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil dólares por mês (equivalente a R$ 9.300,00), enquanto aí no Brasil os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200,00. Além disso, voces tem desconto retido na fonte, ou seja, ainda antecipam o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos EUA nos declaramos o imposto de renda apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, ai sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos. Essa certeza nos bons resultados futuros torna o Brasil um país insuperável.
Aí no Brasil voces pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos EUA, nós, pobres de país americano, como não temos toda essa fortuna, mandamos nossos filhos para as excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Voces, ricaços do Brasil, quando tomam no banco um empréstimo pessoal, pagam POR MÊS o que nos pobres americanos pagamos POR ANO.
E por falar em pagamentos...
Caro amigo brasileiro, quando voce me contou que pagou R$ 2,500.00 pelo seguro de seu carro, ai sim eu confirmei a minha tese: voces são podres de rico!!!!!!!!
Nós nunca poderíamos pagar tudo isso por um simples seguro de automóvel. Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345,00. Quando voce me disse que também paga R$ 1.700,00 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15,00 de licenciamento anual, não importando qual tipo de veiculo seja. Afinal, quem é rico e quem é pobre ?
Aí no Brasil 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui, não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que esta desempregada.
Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha ???
Assinado, um pobre americano
Comentários do Alexandre Garcia:
Caro leitor, estou sem argumentos para contestar este ianque. Afinal, a moda nacional brasileira é a aparência. Cada vez mais vamos nos convencendo de que não é preciso ser, basta parecer ser. E, afinal, gastando muito, a gente aparenta ser rico.
Realmente é difícil comparar esta grande nação chamada EUA que desde o seu descobrimento teve uma colonização de povoamento, com nosso país que foi colônia de exploração por mais de 300 anos, com nossas riquezas sendo enviadas para Portugal. E hoje ainda sofremos com essa exploração, só que dos próprios governantes que pilham e enviam nossas riquezas para suas contas bancárias em paraísos fiscais.
E não fazemos nada para promover uma mudança radical de atitudes, conceitos e afirmação de nossa dignidade. Precisamos sair deste comodismo que estamos vivendo ou o sonho do País do futuro será apenas um ideal na boca dos demagogos que estão no poder.
Matéria indicada por José Macedo.
O DINHEIRO FÁCIL DAS CENTRAIS SINDICAIS
- OPINIÃO O Estado de S.Paulo, 11/04/2011
Sem nenhum esforço, pois o dinheiro lhes é repassado automaticamente pelo governo, as centrais sindicais receberam no ano passado R$ 102,2 milhões, que gastaram do jeito que quiseram, sem se preocupar em prestar contas ao poder público. Com o aumento do número de trabalhadores com registro em carteira e da renda real média dos brasileiros, em razão do crescimento da economia, também as receitas das centrais aumentam. No ano passado, elas foram 20,8% superiores às de 2009, quando haviam crescido 21,6% em relação ao ano anterior.
A legislação que lhes assegura o direito de apropriar-se de uma parte do salário dos brasileiros não as obriga a informar, nem mesmo aos trabalhadores que dizem representar, o que fazem com tanto dinheiro. Fazem o que bem entendem.
Como mostrou o jornal Valor na segunda-feira, algumas compram ou constroem sede para abrigar com mais comodidade e conforto seus dirigentes e sua burocracia, afirmam realizar cursos de formação sindical, organizam convenções ou congressos e, sobretudo, procuram atrair mais sindicatos, pois a distribuição do bolo do imposto sindical é proporcional ao número de entidades e de trabalhadores da base que, teoricamente, elas representam. Gastam também com passagens aéreas, hospedagens, alimentação e outras despesas de viagem.
A transferência também para as centrais de parte do valor retirado anualmente do salário de cada trabalhador com registro em carteira, sindicalizado ou não, para, em tese, sustentar a representação dos trabalhadores é apenas a mais recente de um série de graves distorções e anomalias no campo trabalhista geradas pelo imposto sindical. Criado na década de 1940, durante a ditadura varguista do Estado Novo, o imposto sindical é cobrado em março de todos os trabalhadores, na base de um dia de trabalho. Mudou de nome em 1966, para "contribuição sindical", mas manteve suas características originais e continuou a gerar distorções na estrutura sindical, à custa do trabalhador.
Ao longo dos anos, a distribuição automática da arrecadação desse imposto, que no ano passado superou R$ 1 bilhão, gerou um sindicalismo estruturado primordialmente para receber esse dinheiro, e não, como é legítimo nas sociedades organizadas, para representar os trabalhadores de sua base e defender seus interesses profissionais. A maioria dos sindicatos habilitados a receber parte do imposto sindical não tem representatividade, não atua na defesa daqueles que deveria representar e serve apenas para sustentar uma casta de dirigentes que vive à custa daqueles que deveria defender. E certamente vive em condições muito melhores do que esses.
Durante o segundo mandato de Lula, as centrais sindicais foram incluídas entre as entidades sindicais habilitadas a receber uma fatia do bolo do imposto sindical. Até então, esse bolo era distribuído entre os sindicatos (60%), as federações (15%) e as confederações (5%), cabendo ao governo os restantes 20%. O governo Lula abriu mão de metade de sua fatia, cedendo-a às centrais; as demais entidades sindicais mantiveram sua participação no bolo.
A maior das centrais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), vinculada ao PT, e também a que recebe a maior fatia do bolo sindical (no ano passado, teve direito a R$ 31,9 milhões), diz-se contra o imposto sindical, mas não abre mão do dinheiro que o imposto lhe assegura. Outras centrais defendem essa tributação sobre o salário do trabalhador alegando que, sem ela, não haveria como sustentar um sistema de representação sindical. Ou seja, sem o imposto, a estrutura sindical brasileira ruiria.
Mas seria melhor para o País, e sobretudo para os trabalhadores, se acabasse essa estrutura anômala, formada por sindicatos que na grande maioria só existem para sustentar seus dirigentes, e que se mostrou totalmente incapaz de acompanhar as transformações do mundo do trabalho, que criou novas realidades e novas demandas. Sobre ela se construiria um sindicalismo melhor, mais decente e eficaz, verdadeiramente vinculado às bases profissionais. Ou seja, sem pelegos.
Sem nenhum esforço, pois o dinheiro lhes é repassado automaticamente pelo governo, as centrais sindicais receberam no ano passado R$ 102,2 milhões, que gastaram do jeito que quiseram, sem se preocupar em prestar contas ao poder público. Com o aumento do número de trabalhadores com registro em carteira e da renda real média dos brasileiros, em razão do crescimento da economia, também as receitas das centrais aumentam. No ano passado, elas foram 20,8% superiores às de 2009, quando haviam crescido 21,6% em relação ao ano anterior.
A legislação que lhes assegura o direito de apropriar-se de uma parte do salário dos brasileiros não as obriga a informar, nem mesmo aos trabalhadores que dizem representar, o que fazem com tanto dinheiro. Fazem o que bem entendem.
Como mostrou o jornal Valor na segunda-feira, algumas compram ou constroem sede para abrigar com mais comodidade e conforto seus dirigentes e sua burocracia, afirmam realizar cursos de formação sindical, organizam convenções ou congressos e, sobretudo, procuram atrair mais sindicatos, pois a distribuição do bolo do imposto sindical é proporcional ao número de entidades e de trabalhadores da base que, teoricamente, elas representam. Gastam também com passagens aéreas, hospedagens, alimentação e outras despesas de viagem.
A transferência também para as centrais de parte do valor retirado anualmente do salário de cada trabalhador com registro em carteira, sindicalizado ou não, para, em tese, sustentar a representação dos trabalhadores é apenas a mais recente de um série de graves distorções e anomalias no campo trabalhista geradas pelo imposto sindical. Criado na década de 1940, durante a ditadura varguista do Estado Novo, o imposto sindical é cobrado em março de todos os trabalhadores, na base de um dia de trabalho. Mudou de nome em 1966, para "contribuição sindical", mas manteve suas características originais e continuou a gerar distorções na estrutura sindical, à custa do trabalhador.
Ao longo dos anos, a distribuição automática da arrecadação desse imposto, que no ano passado superou R$ 1 bilhão, gerou um sindicalismo estruturado primordialmente para receber esse dinheiro, e não, como é legítimo nas sociedades organizadas, para representar os trabalhadores de sua base e defender seus interesses profissionais. A maioria dos sindicatos habilitados a receber parte do imposto sindical não tem representatividade, não atua na defesa daqueles que deveria representar e serve apenas para sustentar uma casta de dirigentes que vive à custa daqueles que deveria defender. E certamente vive em condições muito melhores do que esses.
Durante o segundo mandato de Lula, as centrais sindicais foram incluídas entre as entidades sindicais habilitadas a receber uma fatia do bolo do imposto sindical. Até então, esse bolo era distribuído entre os sindicatos (60%), as federações (15%) e as confederações (5%), cabendo ao governo os restantes 20%. O governo Lula abriu mão de metade de sua fatia, cedendo-a às centrais; as demais entidades sindicais mantiveram sua participação no bolo.
A maior das centrais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), vinculada ao PT, e também a que recebe a maior fatia do bolo sindical (no ano passado, teve direito a R$ 31,9 milhões), diz-se contra o imposto sindical, mas não abre mão do dinheiro que o imposto lhe assegura. Outras centrais defendem essa tributação sobre o salário do trabalhador alegando que, sem ela, não haveria como sustentar um sistema de representação sindical. Ou seja, sem o imposto, a estrutura sindical brasileira ruiria.
Mas seria melhor para o País, e sobretudo para os trabalhadores, se acabasse essa estrutura anômala, formada por sindicatos que na grande maioria só existem para sustentar seus dirigentes, e que se mostrou totalmente incapaz de acompanhar as transformações do mundo do trabalho, que criou novas realidades e novas demandas. Sobre ela se construiria um sindicalismo melhor, mais decente e eficaz, verdadeiramente vinculado às bases profissionais. Ou seja, sem pelegos.
sábado, 9 de abril de 2011
PREÇOS SEM LIMITES

Preços sem limites. A busca por distinção em uma sociedade que se torna mais rica está fazendo brasileiros gastarem pequenas fortunas em bens marcados pela exclusividade - Adriana Nicacio - REVISTA ISTO É, N° Edição: 2160, 13/04/2011
Poucos setores da economia brasileira cresceram de forma tão veloz nos últimos anos quanto o mercado de produtos de luxo. Em 2010, as vendas do segmento deram um salto de 22% – ou três vezes mais do que a alta do PIB no mesmo período. O Brasil já responde por 5% do faturamento mundial do setor, resultado principalmente da aceleração econômica que levou ao enriquecimento de uma parcela considerável da população. Se até pouco tempo atrás marcas como Chanel, Marc Jacobs, Louis Vuitton e Aston Martin eram raríssimas por aqui, hoje elas não só estão presentes como se tornaram campeãs de vendas. O fenômeno levou a uma situação inusitada. Não são apenas os artigos luxuosos que seduzem uma legião de consumidores. Itens que têm a marca da exclusividade – e por isso mesmo custam pequenas fortunas – passaram a ser cobiçados por pessoas que buscam acima de tudo alguma espécie de distinção. Ao adquirir algo que quase ninguém possui, o indivíduo consegue se destacar em um universo em que há cada vez mais gente com elevado poder aquisitivo.
Afinal, o que motivaria alguém a comprar um fogão a lenha por impressionantes R$ 6,9 milhões a não ser o fato de querer se sentir realmente único e exclusivo? A alemã Iron Dog lançou recentemente o modelo chamado de 05 Huraxdax, ornado com 260 quilos de ouro puro. De posse desse dinheiro, você poderia comprar pelo menos três apartamentos de alto padrão em um bairro nobre da capital paulista. Ou, talvez, 1.400 lareiras convencionais. A 05 Huraxdax pode ser encomendada pela internet – e alguns brasileiros ilustres já consultaram a empresa que produz o mimo. “Nada é tão livre como a arte e as pessoas que a amam”, diz Joseph Michael Neustifter, criador do objeto. O valor artístico muitas vezes é o pretexto que justifica o alto preço cobrado por artigos alçados por seus idealizadores à condição de relíquias. Essa é a nova tendência do luxo: dar à marca um status de arte para fugir do estigma de futilidade. O designer de consumo Maurício Queiroz, que ajudou a trazer para o Brasil grifes como as canetas Montblanc, faz uma comparação interessante. “No passado, as pessoas eram reconhecidas pelo seu brasão familiar”, diz Queiroz. “Cada brasão mostrava em que posição o cidadão se colocava naquela sociedade. Hoje, essa função cabe às grandes grifes.” Segundo ele, as marcas cumprem o papel de dizer um pouco sobre quem as utiliza. Ser dono de uma Montblanc cotada a R$ 9 mil é algo que distingue o proprietário, que o faz se sentir especial.
É natural que a camada mais rica queira se diferenciar da classe média ascendente. Tome-se o exemplo das viagens internacionais, que há pouco tempo deixaram de ser privilégio. Para certo tipo de consumidor, não basta ir a Nova York, Paris, Londres ou Roma. É preciso marcar a diferença. Apenas pelo trecho de ida São Paulo-Cingapura, com duas paradas, uma em Nova York e outra em Frankfurt, a Singapore Airlines cobra US$ 12.023,50 por sua primeira classe, ou cerca de R$ 20 mil. O valor é sete vezes superior ao preço de uma passagem convencional. Quem opta pela Singapore Airlines paga para viajar em uma companhia reconhecida como uma das mais luxuosas do mundo, que oferece refeições em louças de grifes assinadas por estilistas como Givenchy e pratos criados por chefs internacionais como o britânico Gordon Ramsoy. Detalhe: São Paulo é a primeira operação da Singapore Airlines na América do Sul, o que evidencia a força econômica do Brasil.
A performance da concessionária brasileira da britânica Aston Martin comprova o novo grau de desenvolvimento do País. A loja paulistana da tradicional grife, cujo modelo mais barato sai por R$ 700 mil, é a maior do continente e já está entre os maiores faturamentos da empresa fora da Europa. “Grandes marcas internacionais sabem que vão encontrar estabilidade econômica e política no Brasil”, diz John Doddrell, cônsul-geral britânico em São Paulo e diretor do UK Trade & Investment, que analisa oportunidades de negócios no País. Presidente do grupo LVMH, dono de marcas como Louis Vuitton, Dior e o champanhe Dom Perignon, o francês Bernard Arnault diz que, graças aos países emergentes, o grupo deverá registrar lucro recorde em 2011, acima de três bilhões de euros. “O mercado brasileiro tem imenso potencial de crescimento”, afirma Arnault.
terça-feira, 5 de abril de 2011
ARRECADANDO A INFLAÇÃO

- OPINIÃO O Estado de S.Paulo - 05/04/2011
O brasileiro está pagando mais impostos por causa da inflação. A arrecadação de tributos aumenta não só por causa do crescimento econômico, mas também como consequência da elevação dos preços. Mais negócios, mais salários e mais empregos formais tendem a reforçar a receita pública. Mas, ao mesmo tempo, o encarecimento de bens e serviços de todos os tipos força empresas e consumidores a entregar mais dinheiro aos cofres do governo, em todos os níveis da administração. Nos dois primeiros meses deste ano, o governo central arrecadou, a preços correntes, 20,5% mais que no primeiro bimestre de 2010. O Produto Interno Bruto (PIB) acumulou, nesse intervalo, crescimento também nominal de 11,3%, segundo estimativa do Ministério da Fazenda. A diferença entre os dois números, 8,3%, é em parte explicável pela evolução dos preços e de seus efeitos nas despesas do consumidor, assim como no faturamento e no lucro das empresas.
Uma análise da arrecadação administrada pela Receita Federal do Brasil mostra como a inflação tem contribuído para alimentar os cofres públicos, segundo reportagem publicada no jornal Valor nessa segunda-feira. A preços correntes, aquela arrecadação correspondeu a R$ 150 bilhões. Esse valor foi R$ 25,9 bilhões superior à receita nominal de janeiro e fevereiro do ano anterior, R$ 124,1 bilhões. A inflação, segundo análise do Ministério citada na reportagem, proporcionou ao governo R$ 7 bilhões, 27,1% daquela diferença. O efeito do aumento de preços foi particularmente sensível no Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e no PIS/Cofins, por causa de seu reflexo no faturamento e no lucro das empresas.
Esse cálculo mostra apenas uma parte da história. Impostos indiretos são também afetados pelo aumento de preços e isso beneficia tanto a arrecadação federal como a dos Estados. O tributo indireto mais importante do Brasil é também a principal fonte de receita própria dos Estados - o ICMS. Esse imposto reflete com rapidez toda variação de custos e preços. A cada aumento do custo de vida, o consumidor entrega mais dinheiro para a empresa varejista e também para o governo estadual - e, indiretamente, para o municipal, porque parte da receita é transferida às prefeituras.
Cada aumento de um ponto porcentual na inflação gera um aumento de 0,61% na arrecadação federal. O Ministério da Fazenda tem levado em conta essa proporção, ao rever sua estimativa da receita. Entre março de 2010 e fevereiro de 2011 o índice usado nessa estimativa passou de 4,66% para 7,15%, refletindo a aceleração inflacionária.
O efeito da alta de preços nas contas públicas tornou-se, desde o Plano Real, nos anos 90, muito menos sensível do que nas duas décadas anteriores. A maior parte dos brasileiros pouco sabe - ou se lembra - daquele período, quando os preços podiam subir em uma semana tanto quanto sobem atualmente em 12 meses. Mas o governo, naquela fase, criou mecanismos não só para proteger sua receita, mas até para ganhar com a alta de preços.
Nos últimos anos de inflação quase desenfreada, a mera diferença entre o prazo de arrecadação de impostos e o do pagamento das contas públicas bastava para beneficiar o Tesouro. O contribuinte pagava correção monetária sobre os impostos, quando os pagava com atraso. O Tesouro podia atrasar os próprios pagamentos sem suportar esse custo. O governo também ganhava - e continua ganhando - ao deixar de corrigir a Tabela do Imposto de Renda com base na inflação. A consequência era um confisco mal disfarçado de parte dos reajustes salariais.
A inflação foi há muito tempo qualificada como o mais iníquo dos impostos. É normalmente provocada pelo excesso de gastos públicos - quase sempre sancionado pela expansão monetária - e atinge mais duramente as pessoas mais pobres e mais indefesas. Muitas famílias elevaram seu padrão de consumo quando a inflação se tornou razoavelmente controlada. Se a política anti-inflacionária for relaxada, o maior prejuízo será dessas famílias. O governo saberá como se proteger, mas deixará de cumprir seu papel.
MAU HUMOR ADITIVADO

Pouca indiferença, muita irritação. Se tem algo que mexe com o humor dos consumidores na mesma hora, quase sempre para deixá-lo incomodado, é olhar para as placas dos postos com os preços da gasolina, álcool e diesel.
Apesar de fazer 15 anos que o preço dos combustíveis não é mais tabelado pelo governo, parece que ninguém se acostuma muito com isso. Com o fato de que pode variar, livremente, para cima e para baixo. Nos últimos tempos, bem mais para cima do que para baixo, aliás. Às vezes, em uma única quadra e poucos metros de distância, o que o motorista encontra – e decididamente não entende – são os preços mais diversos possíveis.
Os consumidores sempre se mostram espantados com qualquer variação no preço da gasolina e do álcool. Um espanto que se manifesta de um lado e de outro.
De um lado, quando veem o mesmo preço ou mesmo valores muito semelhantes, o espanto tem uma razão: o medo reavivado dos inúmeros casos de cartel. Na mente, o receio da combinação entre os donos dos postos. O motorista passa, olha o preço nos enormes cartazes e não para se acha o valor alto demais. E, de novo, fica irritado com o preço sempre igual. Para ele, igual nas alturas, claro.
De outro, quando um posto cobra um determinado valor e o concorrente um bem diferente, o motivo é outro. O consumidor puxa a memória da época de preços tabelados que, cá entre nós, parece ainda estar presente em muita gente.
Ninguém pensa no sistema propriamente dito. E talvez isso nem seja sua obrigação: analisar que a pouca diferença entre os valores numa mesma cidade é também reflexo de existir poucas distribuidoras, o que deixa bem semelhantes os custos dos revendedores. Uma história que, decididamente, não vai mudar quase nada a curto prazo. Quem manda – e quem vai continuar mandando – é o mercado, ninguém mais.
MARIA ISABEL HAMMES | EDITORA DE ECONOMIA - zero hora 05/04/2011
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS REVELA O DESPREZO DO ESTADO PARA COM O CIDADÃO BRASILEIRO. ENQUANTO PAÍSES VIZINHOS ABASTECIDOS PELO BRASIL MANTÉM PREÇOS BAIXOS NOS SEUS COMBUSTÍVEIS, O PARAÍSO DA CORRUPÇÃO SEGUE SUGANDO SEU POVO.
quarta-feira, 30 de março de 2011
GOLPE ESTATAL - MAIS ÁLCOOL NA GASOLINA

MISTURADO À GASOLINA. Álcool anidro sobe 24% em uma semana - ZERO HORA 30/03/2011
Apesar de ter o preço fortemente pressionado, a Petrobras informou que não deve aumentar a gasolina em razão da alta do petróleo no mercado internacional e da importação do combustível. A garantia foi dada ontem pelo diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa. Na tentativa de conter o repasse, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) emitiu resolução que permite acrescentar até 1% de água ao anidro – antes, era 0,4%. Isso possibilita a importação do combustível, já que outros países trabalham com a adição de 1% de água, e evita o desabastecimento ou aumento excessivo dos preços.
O álcool anidro, que faz parte da mistura da gasolina, entretanto, teve o maior aumento em uma semana desde 2000. Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostra que o álcool anidro subiu 24% entre 21 e 25 de março.
Etanol foi vantajoso até julho de 2010 no Estado
No Rio Grande do Sul, a última vez que o álcool foi vantajoso na comparação com a gasolina foi em julho de 2010 (confira quadro ao lado).
A situação preocupa o presidente do Sulpetro, Adão Oliveira. O possível aumento da gasolina só deve ser sentido dentro de algumas semanas, avalia.
– Quanto maior o preço da gasolina que chega até os postos, menores são as margens de lucro. Já temos alguns estabelecimentos trabalhando no vermelho – assegura Oliveira.
De acordo com o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, os problemas se agravam nos períodos de entressafra porque as usinas não têm estoque suficiente para atender à demanda enquanto a produção está parada. Segundo Rodrigues, o setor precisaria de incentivos para se tornar competitivo e oferecer preços mais baixos:
– O número de carros vendidos cresceu, a demanda por álcool acompanhou. Mas desde 2008 a safra de cana-de-açúcar não cresce. Primeiro, tivemos um período de crise, e depois, um clima desfavorável nas regiões produtoras – alega Rodrigues.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou que é necessário fazer uma reestruturação do setor do álcool brasileiro para evitar importação na entressafra. A produção de 2011/2012 só deve abastecer o mercado nacional a partir de maio.
A situação preocupa o presidente do Sulpetro, Adão Oliveira. O possível aumento da gasolina só deve ser sentido dentro de algumas semanas, avalia.
– Isso é um problema para nós, porque quanto maior o preço da gasolina que chega até os postos, menores são as margens de lucro. Já temos alguns estabelecimentos trabalhando no vermelho – conta Oliveira.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - SOCORRO JUSTIÇA E PROCON! VÃO DETONAR O MOTOR DOS NOSSOS CARROS! ESTAMOS SENDO ROUBADOS!
NÃO HÁ LEI NESTE PAÍS CONTRA OS CRIMES E GOLPES DO ESTADO CONTRA O CONSUMIDOR BRASLEIRO?
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